1 de setembro de 2026
#TDAH

Venvanse, Ritalina ou Concerta? Lisdexanfetamina ou Metilfenidato? Minha experiência com esses remédios! SIM, Tomei todos!

Pessoa avaliando frascos de remédios para TDAH sobre a mesa com expressão pensativa

No momento em que me deparei com o diagnóstico tive uma avalanche de emoções e pensamentos que se dividiam entre muita evolta e esperança. Revolta pelo motivo que vivi 18 anos passando por psiquiatras e psicólogos onde todos só me tratavam como depressivo, no fundo eu sabia que eu não era e aí que entrava a esperança.

Passado o momento de aceitação, foi necessário ir em um psiquiatra. Passei em vários, onde comecei primeiramente com o Dr Matheus Trillico, onde a experiência não foi tão boa. Resumidamente, na época eu praticava esportes pelo menos 3x na semana, e para quem tem um laudo desse é extremamente importante, porém eu sempre fui noturno e amava fazer exercícios na parte da noite. Ele me proibiu, exigindo que eu fizesse de manhã no primeiro horário, como eu já me conhecia, sabia que não conseguiria manter e contrapus: “Dr de manhã não, sem condições nenhuma, não é melhor eu continuar mesmo sendo de noite?”. Ele foi resistente e disse: agora depende de vc, se quer ter uma vida legal, tem que ser de manhã. Bom parei totalmente de noite e consegui ir 1x de manhã apenas, e quando voltei já não fazia de noite e nem de manhã. Daí o posicionamento dele: “melhor fazer de noite então do que não fazer nada”. Pensa em alguém que ficou puto.

O momento em que me vi diante da decisão de escolher entre dois medicamentos foi um marco na minha trajetória com o TDAH. Passei anos tentando entender meus sintomas, enfrentando olhares de desconfiança e, muitas vezes, sendo rotulado de coisas que hoje já nem fazem mais sentido pra mim. Tive que aprender, na prática, que cada cérebro é único e, por isso, a experiência de cada um também é.

Escolher entre Venvanse e Ritalina parecia algo puramente técnico quando ouvi os primeiros relatos, mas logo percebi que essa escolha é muito mais pessoal do que qualquer bula ou artigo científico sugere. Hoje, compartilho minha história esperando que, assim como o projeto Felizmente propõe, cada pessoa encontre acolhimento e enxergue caminhos reais, possíveis e humanos.

O começo da busca: quando a dúvida surge

Durante minha adolescência e início da vida adulta, a sensação de estar sempre atrás nunca ia embora. Foram anos ouvindo que eu era preguiçoso, distraído, que faltava interesse. Ninguém imaginava que, por trás daqueles comportamentos, havia um cérebro neurodivergente.

Já adulto, depois de passar por diversos profissionais e receber diagnósticos que nunca fechavam totalmente, foi só ao fazer um teste de neurodivergência que obtive uma resposta concreta: TDAH, autismo, superdotação / altas habilidades e borderline. Uma mistura rara, mas não tão isolada como se pensa.

A resposta que muda tudo pode demorar, mas ela chega.

Depois dessa virada, tive que lidar com uma nova questão: qual medicamento seria o mais indicado para mim? Era, afinal, hora de pensar em Venvanse ou Ritalina.

Primeiras conversas: médico, expectativas e receios

Nada substitui o diálogo aberto com um bom profissional. Minha médica já havia mencionado os dois medicamentos—Venvanse e Ritalina—explicando que ambos são estimulantes, mas com perfis e efeitos diferentes por causa de suas moléculas. Ela frisou algo essencial:

A escolha do tratamento não é só sobre sintomas, mas sim sobre a vida de cada um.

Mas os sentimentos que cada escolha causava eram muito diferentes: Medo dos efeitos colaterais, preocupação com o julgamento de quem ainda associa esses remédios a dopagem, desejo de finalmente sentir que “me encaixava”.

No Brasil, segundo estudo da Anvisa citado pelo professor Giuseppe Pastura, da UFRJ, o consumo de metilfenidato (que está presente na Ritalina) aumentou 75% entre crianças e adolescentes nos últimos anos. Mesmo assim, apenas 20% dos jovens com diagnóstico recebem algum tipo de tratamento, mostrando que ainda há muita desinformação, preconceito e, claro, medo.

Como me senti pesquisando sobre Venvanse e Ritalina

O que me impressionou, mais do que os dados, foi a diversidade de relatos. Encontrei pessoas dizendo que só conseguiram “virar a chave” com a medicação; outras, que sentiam mais ansiedade. Alguns descreveram clareza de pensamento incrível, outros falavam de insônia ou de uma sensação de estar “fora de si”.

Tive contato com histórias de superação belíssimas, como já compartilhei em um texto sobre culpa e neurodiversidade. Eram experiências únicas, carregadas de subjetividade, mostrando que um mesmo remédio pode ser libertador pra uns e incômodo pra outros.

Frascos de medicamentos lado a lado em mesa de madeira A decisão nunca deve ser tomada baseada apenas no que funcionou para os outros, mas sim observando como cada opção impacta sua própria rotina.

O que eu sentia ao pesquisar

  • Angústia por não encontrar respostas objetivas.
  • Alívio ao ler que dúvidas são comuns no início do tratamento.
  • Medo dos efeitos colaterais, muitas vezes potencializado por relatos negativos que são mais fáceis de encontrar porque o medo grita mais alto do que a satisfação nas redes sociais.
  • Esperança de finalmente experimentar o tal “desbloqueio” mental que muitos citam.

Primeiro contato com a Ritalina

Minha jornada começou com ela. A expectativa era grande. Senti certa melhora logo nas primeiras doses—um foco maior, a cabeça menos dispersa. Naqueles dias, a sensação era de que eu conseguia ouvir a voz dos meus pensamentos pelo tempo que eu precisava . A agitação parecia controlar-se um pouco.

Vitamin pill in hand Side effects Medicines concept Hemp derived CBD Food additives vitamins for male health Vitamin complex Handsome mature man presenting product Drugs pills close upSó que, em questão de dias, a ansiedade começou a aparecer, como se uma parte do meu cérebro tivesse tomado café demais. Também notei falta de apetite, e aquela insônia que já era incômoda ficou mais intensa. Era um pacote; ganhava algo e perdia outro.

Me peguei refletindo no fim do terceiro dia: “Será que estou forçando algo que não encaixa no meu jeito?”. Conversei novamente com minha médica. Ela sugeriu testes de doses, observação de horários, ajustes. E seguimos por um tempo assim.

É preciso coragem para ajustar o que não está funcionando.

Por que decidi testar o Venvanse

Mesmo entendendo que nenhuma experiência é igual à outra, fiquei curioso sobre o Venvanse. Entre as principais diferenças apontadas pra mim estavam o modo de liberação mais gradual, menos “picos”, menores chances de sentir um efeito forte logo de cara e relatos de menos oscilações bruscas de humor.

Não foi uma decisão simples. Demorei semanas avaliando meu padrão de sono, alimentação, bloqueios e avanços. Li relatos de pessoas que, após várias tentativas, finalmente encontraram equilíbrio, inclusive em projetos como o Felizmente, onde histórias de adaptação e paciência são constantes.

A transição de um medicamento para outro não pode ser feita sem acompanhamento médico, e foi exatamente assim que procedi. O efeito do Venvanse, para mim, foi menos abrupto, mas trouxe uma leveza difícil de explicar para quem nunca experimentou viver tantos anos em hiperatividade mental.

Sensações com o Venvanse: o que mudou em mim

Lembro do primeiro dia em que tomei o novo remédio. Não senti aquela energia acelerada, mas algo mais sutil. Um silêncio interno e, ao mesmo tempo, uma clareza diferente.

No trabalho, conseguia iniciar tarefas e, pela primeira vez em anos, terminá-las sem tantos desvios. As palavras vinham na ordem certa, o raciocínio era mais linear. Não senti aquele frio na barriga do começo e do fim abrupto do efeito.

Foi como tirar uma “estática” do rádio interno.

Claro, nem tudo é perfeito. Nos primeiros dias, percebi uma leve dor de cabeça, mas nada comparado à ansiedade que sentia antes. Aos poucos, fui adaptando minha alimentação e horário de sono, antes de qualquer outra intervenção.

Nesse período, dei mais atenção para o autocuidado, algo que também já escrevi sobre em outros artigos do Felizmente sobre TDAH. Descobri que pequenas mudanças—como manter uma rotina parecida todos os dias—ajudam bastante na adaptação.

Homem jovem escrevendo concentrado em mesa de escritório Comparando Venvanse e Ritalina: o que observei

Depois de meses testando as duas opções, consegui perceber diferenças mais nítidas não só nos efeitos, mas também na forma como meu dia a dia era afetado.

  • Duração dos efeitos: O Venvanse parece ter um tempo de ação mais estável e prolongado, o que me ajudava a manter uma rotina menos cheia de altos e baixos. Com a Ritalina, senti picos mais intensos, seguidos, às vezes, por uma queda repentina.
  • Ansiedade: A ansiedade, tão comum em quem tem TDAH quanto a própria falta de foco, foi menor com o Venvanse.
  • Apresentação dos efeitos colaterais: No meu caso, a Ritalina mexeu mais no meu apetite e sono, e no Venvanse esses efeitos foram mais discretos. Mas já ouvi relatos de experiências bem diferentes.
  • Adesão à rotina: Tomei Venvanse uma vez ao dia, pela manhã, o que facilitou bastante minha organização, enquanto com a Ritalina precisei dividir as doses.

Meu conselho para quem está lendo: respeite o seu ritmo, acompanhe seu corpo e volte ao médico sempre que algo sair do esperado.

Preocupações, mitos e o medo dos efeitos colaterais

Antes de iniciar qualquer tratamento, minha cabeça girou em torno de várias histórias comuns: “Vicia?” “Perde-se o ‘eu verdadeiro’?” “Vai me transformar em robô?”

A resposta, nas minhas vivências, foi não. Meu emocional continuou ali, minhas ideias fluíam, mas com menos “barulho” dentro de mim. É um tratamento, não uma anulação da personalidade.

Closeup alarm clock on a blurred background generative AIÉ importante citar que efeitos colaterais existem e precisam ser levados em conta. Recomendo acompanhar publicações e alertas, como esse alerta de farmacovigilância da Anvisa sobre o risco aumentado de desenvolvimento de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), tricotilomania e dermatilomania em alguns pacientes. Nessa hora, nada substitui acompanhamento de perto e a escuta do corpo.

Como avalio minha qualidade de vida após o tratamento

A melhora mais relevante? A sensação constante de culpa e inadequação deu lugar a um entendimento mais amigável do meu próprio cérebro.

Minhas relações familiares mudaram. No trabalho, aprendi a organizar demandas com mais leveza. Minha capacidade de terminar projetos melhorou. E, principalmente: me reconheci, finalmente, como um adulto neurodivergente, não como alguém “menos capaz”.

Em alinhamento com o propósito do Felizmente, acredito que ninguém merece sentir vergonha de buscar tratamento.

O que aprendi durante minha jornada

Hoje, vejo a decisão entre Venvanse ou Ritalina como um processo de autoconhecimento. Não é só química, não é só racional. É, acima de tudo, sobre o impacto real no dia a dia e nos relacionamentos.

Grupo de pessoas sentadas em círculo em uma sala clara de apoio

Buscar ajuda, experimentar opções e ajustar o tratamento é um direito de todo mundo que sente que a vida pode ser melhor.

Com o tempo, entendi que:

  • Não há uma “fórmula mágica”.
  • Cada experiência é específica, mas o medo de errar é universal.
  • Apoio familiar e de grupos como o próprio projeto Felizmente faz toda a diferença.
  • O maior acerto é nunca desistir de si mesmo.

Conclusão: cuidar de si é um processo, não um ato isolado

Tomar a decisão entre Venvanse e Ritalina foi só mais uma etapa da minha trajetória como pessoa neurodivergente. Ela veio acompanhada de dúvidas, ajustes, apoio profissional e muito autoconhecimento. O maior ganho dessa caminhada foi perceber que existe um caminho para cada pessoa, e que nenhum roteiro é igual ao outro.

Acolhimento e informação mudam histórias.

Se você busca respostas, apoio e relatos reais sobre saúde mental e neurodiversidade, a comunidade do Felizmente pode te acolher de verdade.

Te convido a conhecer mais sobre o projeto e acessar nossos materiais, artigos e experiências para descobrir, com mais leveza, qual é o seu caminho possível. Quando compartilhamos vivências, crescemos juntos.

Perguntas frequentes sobre Venvanse e Ritalina

Qual a diferença entre Venvanse e Ritalina?

A principal diferença entre esses dois medicamentos está na molécula ativa e na forma de ação no organismo. A Ritalina tem o metilfenidato como princípio ativo, enquanto o Venvanse traz a lisdexanfetamina. O Venvanse costuma ter efeito mais gradual e prolongado, enquanto a Ritalina possui ação mais rápida e pode exigir doses divididas ao longo do dia. Essa diferença faz com que os impactos no cotidiano possam variar muito de pessoa para pessoa.

Para que servem Venvanse e Ritalina?

Ambos os medicamentos são usados principalmente no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Eles ajudam a melhorar a atenção, diminuir impulsividade e reduzir a hiperatividade, facilitando a rotina de quem convive com o transtorno. Em alguns casos, também podem ser indicados para narcolepsia ou outros quadros sob orientação médica.

Quais os efeitos colaterais de Venvanse e Ritalina?

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão insônia, diminuição do apetite, dor de cabeça, boca seca e ansiedade. Em alguns casos, podem ocorrer alterações de humor ou desconfortos gastrointestinais. Segundo alerta da Anvisa, há registros, em casos raros, de desenvolvimento de transtornos obsessivo-compulsivos como TOC, tricotilomania e dermatilomania ligados ao uso prolongado dos dois remédios.

Como escolher entre Venvanse ou Ritalina?

A escolha entre Venvanse e Ritalina deve ser feita sempre em conjunto com um médico, observando o histórico de saúde, sintomas, rotina e resposta individual. O que funcionou para um pode não ser a melhor opção para outro. Testes de dose e ajustes são parte do processo para encontrar o melhor equilíbrio.

Venvanse e Ritalina precisam de receita médica?

Sim, tanto Venvanse quanto Ritalina só podem ser adquiridos com receita médica controlada. Isso é importante para garantir segurança, monitoramento e uso correto, além de evitar riscos desnecessários à saúde.

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Venvanse, Ritalina ou Concerta? Lisdexanfetamina ou Metilfenidato? Minha experiência com esses remédios! SIM, Tomei todos!

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